O desenvolvedor Joselito: aquele que não sabe trabalhar!

Olá, galera!

Este é mais um daqueles postzinhos simpáticos sobre nós mesmos, profissionais de TI (ou profiÇionais, dependendo de quem somos).

Eu, aqui mesmo neste humilde bloguinho (vou tentar não usar mais diminutivos), já escrevi sobre “desenvolvedores” drag-n-drop e que não gostam de estudar. Dessa vez, vou aprofundar um pouco mais no lado pessoal do cidadão, lado que muitas vezes esquecemos de levar em consideração no momento de uma contratação ou até tentamos levar mas falhamos miseravelmente.

Falarei aqui do profissional “Joselito” (o personagem “sem noção” da MTV que não sabe brincar), que ganha esta alcunha graças ao grande conjunto de atitudes estapafúrdias que enumerarei.

A principal característica desse indivíduo sem noção vem logo na questão salarial. Muitas vezes com pouca bagagem, sua pretensão salarial é alta: 3.000,00, 4.000,00, se não for mais….Além disso, ele não se importa em pedir aumento para ganhar mais do que alguém de nível igual ou superior ao dele, afinal “o mundo é dos espertos”. E quando digo “pouca bagagem” não quero me referir apenas a profissionais ruins. Falo também de pessoas inexperientes, que tenham trabalhado em poucos projetos e, portanto, vivenciado poucas situações que lhe tenham conferido tal bagagem.

Outro comportamento característico é o de “eu sou O cara”. O camarada raramente (ou nunca) precisa de ajuda. Ele se vira sozinho e mesmo que alguém lhe explique algo, ele rapidamente entendeu TUDO em menos de 5 minutos e já está “pronto pra ação”, deixe-o em paz!

E se ele tiver uma certificação então? Aí então ele se acha um Deus. Uma verdadeira autoridade internacional no assunto. Mesmo que tenha pouca ou nenhuma experiência e obteve a certificação via “brain-dump” ou com ajuda dos outros? Pode isso, Arnaldo? Em resumo, ele quer mostrar a todos que sabe muito, quando na verdade não sabe nada!

Em terceiro lugar, e tão deprimente quanto às outras, é a falta de foco. É Twitter pra lá, Facebook pra cá, mas prestar atenção em um reunião pra que? Mais incoerente ainda é uma pessoa pregar “agilidade” mas não ser participativo, com um tipo de comportamento que parece pedir “seu gerente, cole um post-it no meu monitor para eu ter algo que fazer!”. “Prestar atenção no cliente, tá louco? Ele só fala besteira, não suporto ouvir essas m***”. Total falta de profissionalismo.

Pior ainda é aquele que, além da falta de foco, se manifesta apenas para falar besteira, atacar alguém, esbravejar algo totalmente fora da discussão central. Além disso, eles falam por um breve momento para dar a impressão que estão integrados ao assunto ou para tentar se engrandecer com inverdades do tipo “eu faço tal coisa, eu estudo em casa”. Este é o verdadeiro Joselito.

Outra atitude espetacular é o “puxa-saquismo”. Sem se garantir como profissional, a pessoa prefere ficar amiguinha (putz, último diminutivo, eu juro!) de outra(s) que considera estar em alguma posição de destaque. Puro interesse. E por falar em interesse, há aqueles que não chegam a puxar saco, mas só falam com algumas pessoas quando é para pedir alguma coisa, caso contrário, nem bom dia dão.

Nem preciso dizer que tais atitudes prejudicam qualquer ambiente de trabalho, certo? Constrangimentos, discussões e falta de motivação são alguns dos problemas. Além disso, a pessoa problemática acaba sendo isolada pelo restante do time.

E o que fazer com os Joselitos?

Obviamente, o ideal é que eles nem fossem contratados. Entretanto,  processo seletivo é algo complicado. Muitas empresas contratam “na pressa”. Algumas aplicam provas. Outras fazem o processo em várias etapas. A verdade é que nunca se tem 100% de garantia que não contratamos mal.

Agora, se já existe uma pessoa problemática na sua equipe, a primeira coisa a ser feita é falar com ela, mostrar que certas atitudes estão prejudicando o time (sempre mostrando situações que tenham ocorrido), sugerir mudanças e obter da pessoa a intenção de que irá colaborar.

Esse feedback deve ocorrer preferencialmente o mais rápido possível, isto é, logo após a pessoa ter feito algo inapropriado. O feedback pode ser dado por qualquer pessoa do time que saiba lidar com pessoas, preferencialmente alguém pelo qual a pessoa tenha mais respeito.

Claro que não existe uma fórmula mágica que indique quantos feedbacks serão necessários. Cada caso é um caso.

Algumas vezes a situação é irreversível: o Extreme-Joselito apresenta todas as atitudes que mencionei acima e da pior forma possível, mostrando claramente sua arrogância e muitas vezes, falta de caráter. Desta forma, resta à empresa admitir que errou e convidar a pessoa a se retirar. Simples assim.

E você, caro leitor, trabalha ou já trabalhou com algum “sem-noção”? Que outras atitudes vocês não suportam em um ambiente de trabalho?

Reflitam, comentem!

Obs.: Aproveitando o tema, vou deixar um vídeo muito engraçado de um comediante chamado Murilo Gun, que retrata bem um cara sem-noção ao extremo: “Entrevista com Estagiário”. (Se isso tudo acontecesse somente com estagiários, ainda estaríamos no lucro!). Obrigado ao @awilliansd por indicar o vídeo.

Obs 2: Outra dica, não tão relacionada ao post, mas sobre mercado de trabalho é ouvir o Void Podcast 8, que saiu há alguns dias, onde é discutido sobre falta de bons profissionais no mercado, bons profissionais procurando boas empresas, contratação, etc.

[]s e até a próxima.

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5 comentários em “O desenvolvedor Joselito: aquele que não sabe trabalhar!

  1. Faltou dar uma comentada sobre o pareamento com o “Joselito”.
    Seria interessante falar também do tipo “homem-bomba” rsrsrssrs, aliás a data do post é bem sugestiva, 11-09 né ;).

  2. Só tem um detalhe nesse teu post que não concordo. O que é pouca bagagem? Por que eu não acho um salário de 3 ou 4 mil reais alto. Vale pena levar em consideração que o piso salarial de um engenheiro recém-formado é de 6 salários mínimos para uma carga horária de 6 horas por dia. Não considero que um desenvolvedor que passou 4 ou 5 anos numa universidade descente num curso superior na área de computação mereça tal desprezo e ter de achar que seu trabalho seja apenas metade do de um engenheiro. Acho que a profissão é muito mal paga em linhas gerais. Um desenvolvedor receber menos de R$50 por hora não é pouco razoável, é absurdo. Deveria ser o dobro. O problema é que os desenvolvedores se prostituem, justamente por não termos uma regulamentação e reserva de mercado da profissão.

    1. Olá Theo
      Obrigado por comentar.
      Esse talvez seja um dos temas mais polêmicos na nossa área (dá pra perder horas falando sobre isso).

      Eu não acho que um profissional formado seja bem preparado para o mercado pela sua universidade. Há exceções mas há uma universidade em cada esquina e muitas vezes professores/disciplinas são defasadas. Salientando: preparado PELA universidade. Se neste mesmo período, o cara estuda/trabalha por fora, no meio de bons profissionais, então ele será um recém-formado mas já com experiência. O mercado ainda gosta de canudos/certificações (e é até um meio de filtrar “o grosso” dos currículos) mas o que importa mesmo é o quão bom o cara é.

      Se um recém-formado (com pouca ou nenhum experiencia) pedir um salario de 4 mil não será contratado em lugar nenhum (vide a tabela de salários da Info, que já costuma ser acima da realidade). Você acha pouco? Eu não acho. Sei que muitos podem ficar “de cara” com isso, mas é minha opinião.

      Claro que há os prostitutos sim, assim como anúncios de vagas que são verdadeiras aberrações. Pedem 500 habilidades e oferecem menos de 2 mil (sim, já vi coisas do tipo!). Neste caso, realmente chega a ser um insulto pra qualquer um – principalmente pro cara bom que tem várias daquelas skills.

      Acho que devemos ganhar bem sim, mas temos que ser bons no que fazemos. Mostrando que é bom, você tem como exigir ganhar melhor em sua empresa ou se dar ao luxo de escolher a empresa onde quer trabalhar.

      Por fim, o propósito do post era falar sobre comportamentos inadequados e o que quis dizer com o exemplo do salário foi justamente isso: o cara querer ganhar muito (seja qto for o SEU muito) sem saber p*** nenhuma. Não tinha intenção de entrar no mérito de “o mercado pagar ou não bem”, pq daria outro post (e entraria em questões que comentei acima). Dê uma ouvida no podcast que fala sobre mercado de trabalho.

      Mais uma vez, obrigado pelo feedback.
      []s

      1. Robson, apenas um esclarecimento relacionado a tua resposta, não precisa publicar.

        Quando disse faculdade descente, talvez tenha levado em conta a minha. Uma universidade federal muito bem reconhecida, que não alisa pra aluno se formar. E eu não entendo essa subvalorização que tanta gente da nossa área tem. Se o salário base de um engenheiro civil é o que comentei, por que depois de um estágio de 6 ou 12 meses um computólogo, desenvolvedor, sysadmin, não pode ganhar 5 salários? Não entra na minha cabeça esse autodesprezo da classe. O cara saber testar, documentar, usar boas práticas de programação, padrões de projeto, levar em conta o desempenho compatível com aplicação, que estude tecnologias é obrigação, é o que entendo que qualquer graduado do meu curso deva saber fazer se está enveredando na área de desenvolvimento. É obrigação. Não é ser bom, é o mínimo. Um cara que não tiver esse perfil não devia nem passar numa seleção. Nem todo mundo tem de ser o gênio, e nem só dos melhores vive a indústria. Tipo, quando a galera diz você tem de mostrar que é bom. Não você tem de mostrar que é proporcionalmente capacitado a suas atribuições. Por que existem empresas nos Estados Unidos que só aceita funcionários de determinadas universidades? Deve ser para garantir que o sujeito recebeu a preparação que faz ele ter o perfil, ponto final. Eu não sei você ou outros, mas o anos de graduação foram um martírio pelo qual quero ser recompensado e proporcionalmente recompensado, então quando pessoas que formam opinião para a classe dizem que um salário de R$1500 ou R$2000 não é pouco ele está justamente dizendo que é nada o cara cumprir esse perfil. Ser um desenvolvedor apto e capacitado não é pouca coisa, então porque raios ele tem de aceitar ganhar ninharia?

      2. Opa
        5 salários já está mais condizente não é? Uma observação: EU não digo que 1.500 não é pouco. Falei de 4 mil.

        Eu concordo com tudo que você disse, mas infelizmente o mercado não é assim. Hoje a maioria dos formados que vejo, nunca viram design patterns nem testes de unidade na universidade. Grande maioria se forma com pouquissimo conhecimento (mesmo incluindo os estágios, pq diversas empresas tbem trabalham de qualquer jeito, sem boas práticas, então o cara aprende mais a fazer “gambiarra” do que o “correto”). Sendo assim, o mercado muitas vezes exige 3º grau mas ao mesmo tempo não valoriza ($$) justamente pelo que citei acima (parece incoerente mas é isso).

        Sei que nos grandes centros, a situação pode ser melhor, pq voce tem faculdades melhores, mais oportunidades de estagiar em grandes empresas, mais eventos, mais tudo…Mas na maioria do país não é bem assim…

        É complicado cara. Eu entendo sua frustração, mas para começarmos a mudar essa situação as universidades precisam evoluir pois grande maioria está aquém. Os profissionais e as empresas tbem.
        Não estou te dizendo “aceite ganhar pouco”. Se você teve a sorte de se formar numa ótima universidade, se adquiriu bons conhecimentos, então obviamente você deve receber o que achar justo e obviamente não se “prostituir” jamais!

        Eu não desprezo a classe, mas posso te passar essa sensação pelo grande número de caras FRACOS que vejo ganhando além do que merecem. Talvez eu esteja num momento down :/

        Estamos aí pra conversar. Tranquilo.

        []s

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