Olá, pessoal!

Este post é, em especial, dedicado aos profissionais de TI do meu Estado, Mato Grosso do Sul. Não o entendam como uma forma de ofender alguém nem como uma generalização (os raros saberão disso).

Pode ser considerado como um desabafo. Indignação. Leia e tire suas conclusões.

ALGUMAS CONSTATAÇÕES

Nosso interesse em software é infinitamente menor do que o dos caras de fora.

Como vocês devem notar, nosso Estado não é um pólo de tecnologia nem temos muitos eventos legais por aqui.

Vejo diariamente inúmeros profissionais de outros Estados, como SP, RS e PR, falando sobre software no Facebook e no Twitter. São eventos, links para artigos, dicas, mobilizações para formar grupos de estudos, divulgação de empresas, produtos e serviços.

O engraçado é que, se levarmos em conta apenas o Facebook, possuo exatamente O DOBRO de pessoas na minha lista de TI do MS em comparação com a lista de TI do Brasil (excluídos os do MS). Esse dobro de gente, que neste exato momento, correspondente a 88 pessoas, é formado em boa parte por programadores – quase 50% do total –  e o restante dividido entre empresários, gerentes, professores e profissionais de infra.

E pasmem (ou não): nós, sul-mato-grossenses, publicamos todo tipo de conteúdo comum nas redes sociais como: figurinhas engraçadinhas, mensagens religiosas, fotos do seu último prato de comida, frases de auto-ajuda, flyers, futebol, etc. No entanto, não geramos conteúdo algum sobre nossa área de trabalho.

Indo além: vejam o grupo Pantanet, que existe há quase 8 anos e possui mais de 800 membros. Quantas pessoas geram conteúdo no grupo? Três ou quatro no máximo.

VOCÊ REALMENTE GOSTA DO QUE FAZ?

Quando alguém está assistindo futebol ou UFC, ele normalmente publica algum comentário sobre o assunto. Porque é algo que ele gosta, que o empolga, certo? O mesmo vale para o BBB, a novela, o filme que ele viu no cinema, etc. Tudo normal, não é? Faz parte do nosso comportamento.

E por “fazer parte” é que eu fico assustado. Nadinha sobre sua carreira. Seus projetos. Software. Entenderam aonde quero chegar?

CONSEQUÊNCIAS

Quais as consequências decorrentes do comportamento acima? A resposta vem com a próxima constatação: grande maioria não acompanha o que está acontecendo na área. Tenho entrevistado pessoas para contratação nos últimos 2 anos e novamente, maioria esmagadora, nunca ouviu falar dos nomes mais conhecidos da comunidade de TI do país. Se eu citar nomes que são referências mundiais então, piorou!

Além disso, grande maioria não se preocupa em acompanhar blogs técnicos muito menos ler livros. Grande maioria está apagando incêndio 40 h/semana e ficando de braços cruzados após o seu horário de serviço.

É incrível, mas ainda há pessoas que fazem uma enorme cara de interrogação quando menciono sobre testes de unidade ou TDD ( <– não, não são sinônimos!). E também aqueles que tentam falar sobre Scrum, mas acham que PO ou SM são cargos similares ao de “Gerente de Projetos”, que são “mais importantes”….

“EU FICO NA MINHA E DAÍ?”

Você pode argumentar que é daquele grupo que não publica absolutamente nada: nem futebol, nem religião, nem piadinhas. NADA x NADA. Não possui perfis em redes sociais ou, se possui, entra raramente para dar uma espiadinha. Mesmo assim, você julga dar importância sim à sua carreira.

Ainda assim, concluo que existe a grande possibilidade de você sofrer as consequências acima mencionadas.

Se você não faz parte de redes sociais ou faz mau uso das mesmas, você está perdendo um ótimo lugar para se manter atualizado e para fazer networking. Além disso, é grande a chance de que seu marketing pessoal seja quase nulo. Já diz o ditado: quem não é visto, não é lembrado!

CONSEQUÊNCIAS RELOADED

Demonstrar nem um pingo de interesse em sua carreira tem alguns problemas. O maior deles é que você provavelmente não sairá do lugar e ainda ficará reclamando pelos cantos que seu salário é baixo, que sua empresa não te valoriza, que nunca ninguém te notou.

Já perceberam que todas as matérias que falam de mão-de-obra na área de TI dizem que há muitas vagas mas poucas são preenchidas por falta de qualificação?

O pior é que o primeiro argumento que ouço rebatendo essa informação é que: “ah também essas empresas só querem explorar o funcionário, querem que saibam fazer tudo e pagar pouco, …”. Acho esse tipo de resposta evasiva. Faça sua parte bem feita que você será valorizado (e nem sequer passará perto das empresas “meia-boca”).

MUDANÇA DE MENTALIDADE

Talvez seja parte da cultura do sul-mato-grossense não ter aquele “algo mais” dos Estados mais desenvolvidos – principalmente na área de TI.

Pode ser que eu esteja querendo demais da humanidade ou esteja já meio decepcionado, mas sinceramente, é raro encontrar por aqui um cara com sangue nos olhos. Aquele que você olha e diz: esse É programador. Boa parte parece que está na área por falta de opção ou porque “gosta de mexer no computador” ou porque disseram que é “a área do futuro”, que “não fica desempregado”.

Então vamos lá. Pare e pense comigo: “o que eu faço pela minha carreira?”.

Você apenas bate o ponto na empresa e nada mais? Não tem feito nada de empolgante durante o expediente? Não tem aprendido nada de novo?

E fora do trabalho, o que você faz? Que tal dedicar um tempinho seu durante a semana para se atualizar? Ler livros e artigos, fazer algum curso, ficar por dentro do que acontece atualmente na área.

Que tal passar a gerar conteúdo? Não precisa ser uma tese de doutorado. Pode ser algo super simples. Leu e gostou de um artigo? Repasse!

Envolva-se. Empolgue-se. Seja mais.

Tenho certeza que as oportunidades vão aparecer para você. Vai depender da sua ambição.

[]s e obrigado por ler até o final (sei que ficou extenso!)

Epílogo

Eu sei, eu sei.. tô terminando!

Só para colocar algumas observações:

1) Voltarei em posts futuros com algumas dicas legais sobre carreira.

2) Enquanto isso, leia outros posts similares que escrevi: <aqui> e <aqui>.

3) Se você pensa como eu, deixe seu comentário abaixo. Vamos nos unir e fazer a diferença.