Olá, pessoal

experienciaVocês já pararam alguma vez para pensar sobre o significado da classificação “Júnior-Pleno-Sênior”? Eu já. Diversas vezes. Quando comecei a dar atenção a ela, percebi que era muito comum, naqueles anúncios-padrão de vagas de TI, a definição baseada EXCLUSIVAMENTE em tempo de experiência: júnior (até 2 anos de experiência), pleno (de 2 a 4), sênior (acima de 4 anos). Simples assim.

Nem preciso perder muito tempo para dizer que a classificação acima é limitada demais, para não dizer péssima. Qual a diferença precisa entre um profissional com 3 anos e 11 meses de experiência e um profissional com 4 anos?

Para tentarmos entender o que significam esses três níveis de experiência, precisamos entender primeiro o que é experiência:

“Ação ou efeito de experimentar; conhecimento adquirido pela prática da observação ou exercício”. Ou ainda “Empirismo, prática de vida, ensaio”.

Sendo assim, “júnior” tem pouca experiência, “pleno” tem boa experiência e “sênior” tem bastante experiência. Agora, sem um intervalo bonito de tempo, fica bem mais complicado, não é?

Vou explicar com mais detalhes. Mas atenção: isso não é uma tentativa de definir exatamente cada um dos níveis. Não é algo objetivo assim, mas dá para se ter boa ideia.

Júnior
– Executa, mas muitas vezes sem saber o “porquê” das coisas.
– Segue, na maioria das vezes, algum código de exemplo ou o que lhe é passado por alguém de mais experiência.
– Aceita o que o cliente pede, sem questionar, propor alternativas ou identificar possíveis impactos negativos.
– Tem mais dificuldade em entender o problema e conceber uma solução do início ao fim (tanto em nível de funcionalidade como em nível de software).

Pleno
– Entende melhor o “porquê” das coisas e por isso já consegue propor outras alternativas além daquelas passadas por outros de mesma ou maior experiência.
– Consegue conversar melhor com o cliente, propondo soluções ao invés de aceitar o “como” vindo do cliente.
– Como o nome sugere, faz o trabalho em sua “plenitude”, ou seja, entende o problema e consegue implementar a solução do início ao fim.

Sênior
Além do que foi mencionado para o “Pleno”, ele:
– Entende e aplica boas práticas, princípios e técnicas com o objetivo de produzir soluções de maior qualidade (externa e interna), preocupando-se também com requisitos não-funcionais.
– Consegue analisar o “todo” do projeto, ou seja, preocupa-se também com a estratégia e não somente com a tática.
– Repassa o conhecimento aos demais membros do time.

Para complementar os itens acima, vale a pena dar uma lida no conceito Shuhari, vindo das artes marciais, e o Modelo Dreyfus de aquisição de habilidades.

Vamos considerar alguns fatores importantes:

1. A evolução de um nível para outro não está associada simplesmente à técnica da pessoa e sim à sua maturidade como indivíduo. Então, como dito no início deste artigo, o tempo de experiência é sim importante, pois nós, seres humanos, não nascemos prontos. Precisamos passar por experiências negativas e positivas para aprender.

2. Quanto tempo para passar de um nível para outro? Depende de cada um. O fato é que acho bastante improvável, para não dizer impossível, que alguém atinja um nível de maturidade e evolua tão rápido em pouco tempo de experiência. Por isso, me dá arrepios ver no LinkedIn alguns “desenvolvedores sênior” ou “arquitetos de ….” com poucos anos de estrada, com 1 ou 2 softwares desenvolvidos na vida. Sendo assim, é preciso cicatrizes de guerra, ter errado muitas vezes, ter feito de formas diferentes e, é claro, ter tirado lições de tudo isso.

3. Assim como classificar meramente por tempo de experiência, também é bizarro classificar apenas por quantidade de “skills” técnicas e cursos/certificações. Fulano é “sênior” e Beltrano é “pleno” somente porque Fulano tem 2 pós-graduações e Beltrano nenhuma? Mais uma vez: depende! Depende de outras “skills” que eles tiverem. Depende de todos os pontos citados anteriormente.

CONCLUINDO (OU COMPLICANDO TUDO)

Como empresas trabalham com tecnologias, práticas e métodos diferentes e, portanto, possuem níveis de exigência diferentes, não é certo afirmar que um pleno da empresa X será também pleno na empresa Y.

Em casos extremos, é realmente mais simples. Um júnior com apenas 6 meses ou 1 ano de experiência, certamente será júnior em qualquer lugar. Mas e um pleno ou sênior?

Enfim, esse assunto rende muita discussão e é possível que eu revisite-o futuramente. Espero, ao menos, ter deixado claro alguns pontos que definem cada nível e como é impossível manter um padrão de mercado para eles.

Comentem aí. O que vocês pensam a respeito? Vocês se enquadram em qual nível? Vocês se encontram no nível que consideram justo para a experiência de vocês?

[]s e até a próxima!