Sobre trocar qualidade por dinheiro…

Há alguns dias postei a seguinte reflexão no Facebook:

“Reflexão: você, profissional de qquer área, trocaria de emprego p/ ganhar umas 3x MAIS, com a exigência de abandonar todo o conhecimento que adquiriu e se submeter a usar práticas/processos/ferramentas que você considera inadequadas para fazer um trabalho de qualidade?”

Para minha surpresa, a postagem rendeu alguns comentários, os quais foram bem interessantes. Resolvi replicar a pergunta aqui.

Até quanto o fator dinheiro seria determinante? Você se sujeitaria pura e simplesmente? Lutaria para mudar a ideia do contratante? E se estivesse tudo em contrato?

Questionem-se…

[]s

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5 comentários em “Sobre trocar qualidade por dinheiro…

  1. Robson,

    Legal o questionamento. O post que eu fiz sobre carreira é mais ou menos na mesma linha. O grande ponto é que a decisão não vai chegar simples e clara como você colocou no seu post. Se ela chegasse clara, você saberia facilmente a decisão que está tomando. Aí que mora o problema.

    O problema é que na área de desenvolvimento, essa escolha vem aos pouquinhos, incomodando, incomodando até que você acaba tomando a decisão, muitas vezes sem nem perceber. Vou tentar dar exemplos: com o tempo você se questiona porque o cara de vendas ganha uma comissão sobre uma venda e o desenvolvedor não ganha comissão sobre a entrega? Por que o gerente, as vezes sem qualquer conhecimento sobre a natureza do trabalho, ganha mais do que o desenvolvedor? Por que você não começa a realizar o trabalho daquela pessoa ou daquele time que ganha mais do que você e muitas vezes já trás as definições tão mal feitas que você não consegue realizar seu trabalho?

    Soma isso com o teto baixo que existe nas carreiras técnicas no Brasil e é quando essa escolha aparece, sempre muito obscura. Há ainda os casos de falta de ética completa mesmo, quando uma empresa te oferece uma coisa e na hora H é outra.

    Na minha opinião, muitas vezes não vai nem perceber que quando tomou a decisão, só quando começar a se distanciar daquilo que gosta e muitas vezes até se colocar numa situação complexa quando o salário sobe e já não fica tão simples encontrar outras oportunidades.

    Você muitas vezes quando se ver na frente dessa decisão, vai saber que é uma armadilha. Mas é uma armadilha tão bonita, tão bem-feita, tão bem montada, que você vai lá e cai.

    Abraço,

    Eric

    1. Legal, Eric. Obrigado pela opinião.

      Concordo que algumas vezes realmente podemos entrar em roubadas.

      E se fosse algo mais específico? Você sabe que lá não se pratica TDD nem há qualquer tipo de teste automatizado e o cara tentando te contratar deixa escapar nas entrevistas que não há qualquer intenção de usar nesse projeto que você entraria (eles tem a mentalidade do “é perda de tempo”). O mesmo vale para outras práticas que você, como profissional, considera importantes.

      Encararia só pelo dinheiro? Mesmo sabendo (ou tendo grande chances) que o projeto tenha qualidade ruim. Conseguiria abandonar seus testes, seu bom design, etc, em um projeto desse tipo? Ou diria “não, obrigado. Não trabalho assim” ?

      Pra fazer a galera pensar… 🙂

      []s

      1. Eu sou especialista em me meter nesse tipo de roubada. Como eu disse, você sabe que é armadilha, mas a armadilha é tão bonita…

        Ninguém deixa claro na partida que você não vai conseguir fazer nada. Pelo contrário, o discurso é que querem mudar e precisam de um profissional que nem você pra mudar. E você também escolhe não enxergar algumas coisas que são óbvias, porque a armadilha é uma armadilha, mas é bonita…. afinal, quem não gosta de ganhar aumento?

        Com o tempo, no dia a dia, as prioridades vão mudando. Não é que você não pode, sei lá, melhorar a ferramenta de versionamento, montar um servidor de build, fazer teste unitário, é que “naquele momento” o mais importante é apagar o incêndio e entregar o projeto no prazo. E assim o ciclo começa.

        Eu resmungo, mas em todas as empresas que eu passei eu consegui fazer alguma coisinha. Muito menos do que eu gostaria, mas sempre consegui deixar algo. O fato é que pra quem gosta de pesquisar, aprender e fazer coisas novas, é bastante cansativo ficar discutindo, convencendo e vendendo coisas que são básicas. Mas todas as vezes, foi a escolha que eu fiz. Consciente ou nem tão consciente assim.

        Se eu faria única e exclusivamente pelo dinheiro, sabendo claramente que ia ter que abandonar todo o conhecimento e adotar práticas inadequadas, sem sombra de dúvida: não.

        O ponto é que essa questão nunca se apresenta dessa forma.

      2. Olá, Eric.
        Obrigado pelo seu ponto de vista e experiência. Contribuiu bastante.
        Acho que isso daria um post né? “Ciladas na área de TI” hehehe.
        Infelizmente, esse tipo de empresa ainda existe de monte, o que acaba sendo totalmente prejudicial aos projetos (entregues ?!) e também aos profissionais que realmente querem ser PROFISSIONAIS. Pena…
        []s

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